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Os Bordados da Glória

"Marcas" da Cultura Gloriana
É uma arte que ainda persiste. A arte de "marcar". Assim se diz na Glória do Ribatejo, Concelho de Salvaterra de Magos. Marcar, é para as glorianas, bordar. Os bordados estão presentes, das mais variadas formas, no quotidiano local.
Um dos aspectos mais marcantes da arte popular gloriana são os bordados a ponto de cruz. Estes bordados quase fazem a história da vila. Talvez com a excepção da morte, os bordados a ponto cruz acompanhavam o dia-a-dia da Glória do Ribatejo. Em tudo a mulher gloriana punha um toque de arte, desde as cortinas com que decorava a casa até às peças de vestuário. Era ela que, nos tempos livres, confeccionava tudo.
Quando ia para o campo, onde trabalhava, levava com ela o taleigo, um saco onde guardava dinheiro, alimentos e linhas e pano para bordar. À noite, no chamado quartel, onde os glorianos dormiam separados das pessoas de outras terras, as mulheres iam bordando com a ajuda de candeias de azeite que davam uma luz mínima. “Nunca fui à escola”, conta D. Cecília, de 65 anos, natural da Glória do Ribatejo. “Tinha dez anos quando comecei a trabalhar no campo. Íamos de farnel aviado, estávamos às três semanas nos campos de Vila Franca. À noite, dentro do quartel, acendíamos a candeia, que era uma torcida de trapo onde púnhamos azeite, que em vez de ser para o comer era para pôr na candeia. Depois bordávamos, que era marcar à nossa moda. A gente era marcar as nossas coisinhas, para quando um dia tivéssemos um futuro.” Começavam a bordar ainda crianças, a pensar nesse futuro. D. Anacleta, de 77 anos, também natural da Glória, conta que desde cedo começavam a “marcar” os lenços para os namorados. “De pequenas sabíamos logo quem era o rapaz e não fugia. Depois tínhamos tudo arrecadado dentro das malas.”
O ritual do namoro era nesta terra peculiar. A rapariga oferecia lenços bordados ao namorado, com vários motivos decorativos e os nomes, quer da rapariga e do rapaz, quer dos próprios amigos. Nos lenços podiam ver-se, entre outros bordados, a chamada coroa dos namorados, com vários corações, tendo cada um deles uma chave, a dona do coração. Bordavam também uma cruz de cristo, à qual chamavam pinto, que terá sido inspirada numa moeda antiga. Por sua vez, o namorado oferecia à rapariga uma navalha, que simbolizava o pão que iam dividir juntos na vida, no lar que ambos sonhavam. D. Anacleta diz que “ao Domingo, a gente saía com o lencinho dobrado, passado a ferro e perfumado, chegávamos ao deles e dávamos o lenço. O meu namorado vinha namorar comigo, dava-me o lenço sujo, aquele que eu lhe tinha dado no Domingo anterior, e eu dava-lhe um lavadinho. Ele usava o lenço sempre. Nós também oferecíamos aos namorados uma bolsa para o relógio, marcada em ponto cruz, em , bolsas de dinheiro e um taleigo (saco do pão), tudo marcado“.
Depois do casamento, as habitações do casal gloriano tinham um cunho pessoal com bordados a ponto de cruz. Conta D. Cecília que “a primeira casa que eu fiz foi ainda à moda de algum dia. Fazíamos bordados para o prateleiro da parede, para a mesa e cadeiras, para a arca de madeira, cortinas das portas, para a mala de lata de algum dia, para tudo.” Quando os filhos nasciam, os fatos e toucas das crianças eram bordados a preceito. Qualquer touca vulgar era enfeitada com dois ou três franzidos e coberta de bordados vários. Também o vestuário das mulheres era ricamente ornamentado, desde as blusas e aventais aos lenços e cintas.
Entre os objectos tradicionais que as glorianas bordavam encontra-se também a bolsa da madrinha da Páscoa. Juntamente com as amêndoas, a madrinha oferecia uma bolsa à afilhada, que esta colocava ao peito. Posteriormente a gloriana começou a aplicar a mesma técnica noutros objectos. Bordava malas, sacos, cintos, porta-lápis, lençóis, almofadas e quadros, entre outros.
Hoje em dia, na Glória do Ribatejo se fazem outro tipo de bordados, com motivos retirados de revistas. As tradições foram-se perdendo, em parte devido à transformação cultural e à abertura da vila ao exterior. Para evitar o desaparecimento desta arte, nasceu a Associação para a Defesa do Património Etnográfico e Cultural da Glória do Ribatejo (ADPECGR). A Associação começou por fazer uma recolha de material junto da população local, conseguindo um total de cerca de 1200 peças, que estão depositadas em dois núcleos museológicos existentes na localidade: a casa tradicional da Glória e o museu etnográfico. Nestes locais decorrem também várias actividades, entre elas exposições temáticas, edições de folhetos e postais e ocupações de tempos livres, onde várias jovens executam bordados em ponto de cruz. Segundo Roberto Caneira, da ADPECGR, esta é uma forma de sensibilizar a juventude para a arte de “marcar”, evitando que ela se perca.
D. Cecília diz que ainda continua a bordar. “Andei a fazer uns panos, para pôr num tabuleiro para a minha neta, para um dia quando ela casar. Os bordados que faço são como eram antigamente”. Com as mãos calejadas pela faina do campo estas mulheres ainda fazem verdadeiras obras de arte de admirável acabamento. D. Anacleta diz mesmo que “a gente dantes, não desfazendo das outras terras, não havia quem tivesse mãos como a malta da Glória”.
Os dois núcleos museológicos da Glória do Ribatejo podem ser visitados com marcação prévia, através dos seguintes contactos:
E-mail: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.
Junta de Freguesia da Glória do Ribatejo: 263 595 480
in "Info Lezíria do Tejo", Revista da Comunidade Urbana da Lezíria do Tejo, de Abril/Maio/Junho de 2003

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