|  Este é, indiscutivelmente, um produto ímpar no Ribatejo e que caracteriza a região. O Ribatejo afirma-se na sua quase plenitude com pão de trigo à mesa. O tomate é de longe o produto hortícola de maior importância no Ribatejo. Grande e importante labor é também o de orizicultura: vastos campos de arroz alternam com o tomate nas margens dos principais rios afluentes no Tejo: do Sorraia, a Este, aos campos da Azambuja, a Oeste. O vento soprava forte sobre os salgueirais da margem do Tejo, ali mesmo, junto à foz do Alviela. Uma luz trémula e bruxuliante via-se do lado da aldeia e era a única claridade que se enxergava a léguas de distância. Os olhos já se habituaram, apesar do escuro, e não era por ele que a safra não se faria. Os remos faziam "chape, chape" na água e gemiam no desengonçado pau de salgueiro que os prendia ao barco. Ti Vicenta, sentada, com uma enorme barriga, ajudava no que podia e, de quando em vez, gemia baixinho e dizia: "Ah, home, d'hoje é que não passa!" Onde a luz se muda e dá vida ao Azulejo Embora tenha a designação de "melão de Almeirim", este maravilhoso fruto é cultivado e produzido na sua maioria pelos seareiros de melão de Alpiarça que se deslocam há décadas para os campos do Vale do Tejo. Conheça o artesanato da Lezíria do Tejo “Quer saber o que é o Jogo do Quartão? Então é melhor explicar-lhe agora. É que daqui a nada já está tudo a falar sozinho!” Foi assim o nosso primeiro contacto com esta tradição secular, que acontece todas as Quartas-feiras de cinzas na Chamusca. Um grupo de homens passeia pela vila e vai lançando o cântaro ou o quartão. Pelo caminho vão parando de tasca em tasca, onde lhes é oferecida comida e bebida. A “paródia” começa logo a seguir ao almoço e só termina depois da meia-noite, com o Enterro do Galo. No Concelho da Chamusca, conheça a lenda da Aldeia do Arripiado, que lembra histórias de guerreiros e mouras encantadas. É uma arte que ainda persiste. A arte de "marcar". Assim se diz na Glória do Ribatejo, Concelho de Salvaterra de Magos. Marcar, é para as glorianas, bordar. Os bordados estão presentes, das mais variadas formas, no quotidiano local. Na Lezíria do Tejo é bem patente a íntima ligação das gentes com a sua cultura e tradições. É a arte trazida pelos nossos antepassados, ainda hoje sentida e vivida, que orgulhosamente queremos preservar. É por isso que aqui continua a respirar-se folclore. Danças, cantares, ritmos e movimentos que se executam com a pujança ímpar de uma terra assumida na integridade. A ribatejana.
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